Educação

Escolas de Maringá transformam o ambiente educacional com fortes ações contra o bullying e pela cultura de paz

A rede municipal de ensino de Maringá vai muito além do currículo tradicional, investindo em uma formação integral e cidadã. Com o objetivo de fortalecer vínculos saudáveis e promover o protagonismo estudantil, todas as unidades escolares estão implementando ações inovadoras para prevenir, identificar e combater o bullying e outras formas de violência, sejam elas físicas, psicológicas, institucionais, de gênero, raciais ou religiosas. A meta é clara: construir uma cultura de paz desde os primeiros anos de vida escolar.

“Falar sobre bullying e igualdade com as crianças é cuidar da construção de um mundo mais justo desde a base. Ensinar respeito, promover empatia e dar espaço para o diálogo são atitudes que transformam a escola em um lugar seguro e acolhedor. Nossa missão vai além do conteúdo: é preparar cidadãos conscientes de seu papel no coletivo”, afirma Adriana Palmieri, secretária de Educação do município. Neste ano, a Secretaria publicou a instrução normativa nº 008, que estabelece as diretrizes para o enfrentamento dessas questões nas escolas.

As iniciativas são cuidadosamente estruturadas para desenvolver competências socioemocionais, estimular a escuta ativa, o diálogo e o respeito mútuo. As atividades são adaptadas para cada faixa etária, priorizando a convivência harmoniosa e a formação de relações baseadas na empatia. O foco é formar estudantes que não apenas absorvam conhecimento, mas que vivenciem valores como justiça, inclusão e solidariedade.

Leia Também:  Pesquisa vai mapear oportunidades de crescimento das regiões do Paraná

Grêmio Estudantil lidera mudança na Escola Dom Jaime Luiz Coelho

Um exemplo inspirador dessa abordagem pode ser visto na Escola Municipal Dom Jaime Luiz Coelho, localizada no Parque Tarumã. Lá, o grêmio estudantil tem assumido um papel central, protagonizando ações que ressoam em toda a comunidade escolar. Baseados na premissa de que “criança ouve criança”, os próprios alunos criam e conduzem campanhas de conscientização contra o bullying, incentivando o cuidado e o respeito entre os colegas.

As atividades transbordam os limites da sala de aula. A diretora da escola, Elenice Hinz, destaca que todas as segundas-feiras são dedicadas ao “Dia do Abraço”, um momento de afeto e meditação sobre a paz e a resolução não violenta de conflitos. Além disso, professores utilizam as práticas da Justiça Restaurativa para promover rodas de conversa e círculos de paz com os alunos. “Quando uma criança conversa com outra criança, a escuta e aceitação são melhores. A criança que sofre bullying tem sua aprendizagem comprometida pela insegurança e todo esse trabalho de construção da paz ajuda a promover o respeito, a calma e o bom comportamento”, explica Hinz.

A aluna Emanuelly Leopoldino, presidente do grêmio, conta que são os próprios estudantes que confeccionam os cartazes com mensagens de conscientização, organizam dinâmicas e estão sempre disponíveis para ouvir e responder às dúvidas dos colegas. “Falamos sobre xingamentos e o quanto isso magoa. Os alunos também nos ajudam, dão dicas e opiniões sobre os próximos cartazes que podemos fazer”, relata.

Leia Também:  Duplicação do Contorno Sul de Maringá avança com convênio de R$ 450 milhões

A motivação para o projeto, segundo o aluno Pedro Lucca, surgiu de uma necessidade observada no dia a dia da escola. “A gente percebeu que muitas crianças estavam ficando tristes por causa do bullying e queríamos parar com isso. Os alunos reagem bem, participam, se envolvem e ficam impressionados com as atividades”, comenta. O aluno Rafael Pacheco ressalta o impacto que a iniciativa pode ter para além dos muros da escola. “Eu gosto disso porque, quando espalhamos essas ideias para os outros alunos, eles podem levar para suas famílias, amigos e outras pessoas. O bullying pode afetar o presente e o futuro das pessoas. Por isso, devemos evitar”, conclui.

Na Escola Dom Jaime, assim como nas demais unidades da rede municipal de Maringá, a construção de uma cultura de paz é um esforço coletivo que envolve alunos, professores, equipe pedagógica e famílias, transformando a escola em um verdadeiro espaço de desenvolvimento social, onde aprender significa também respeitar, acolher e conviver.

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade