A cidade de Chã Preta (cerca de 100 km da capital, Maceió), em Alagoas, realiza, nesta sexta-feira (18.09) e sábado a quarta edição da Agrofeira IBC. Realizado na Fazenda Recanto, o evento reúne produtores, empresas, técnicos e especialistas para discutir genética, qualidade da carne, mercado, regularização das propriedades e investimentos no campo.
A programação vai das 7h às 17h nos dois dias, com entrada gratuita. Além das palestras, haverá exposição de animais da seleção Nelore Barros Correia e espaços para negociação com fornecedores de genética, nutrição e sanidade animal, máquinas, implementos, veículos, insumos, tecnologias e serviços.
A importância de Chã Preta para a pecuária alagoana vai além da tradição das propriedades locais. O município possuía 32 mil bovinos em 2024, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O número coloca a cidade entre os sete maiores rebanhos municipais de Alagoas.
A dimensão fica ainda mais evidente quando comparada à população. Chã Preta tinha 5.910 moradores no Censo de 2022, o equivalente a mais de cinco bovinos por habitante. O município responde sozinho por aproximadamente 2,3% das 1,39 milhão de cabeças existentes em Alagoas.
A produção de leite também ajuda a movimentar a economia local. Em 2024, foram produzidos 11 milhões de litros no município, com valor estimado em R$ 24,8 milhões. Em todo o Estado, a produção chegou a 596,9 milhões de litros e movimentou R$ 1,36 bilhão.
Embora a pecuária tenha maior peso, Chã Preta também mantém uma agricultura diversificada. A produção das lavouras municipais foi avaliada em R$ 6,8 milhões em 2024, distribuída entre atividades como citricultura, batata-doce, mandioca, tomate, banana, maracujá, milho e feijão.
É essa combinação entre rebanho numeroso, produção leiteira, agricultura e seleção genética que explica a apresentação do município como uma vitrine da pecuária regional. O destaque não está apenas na aparência dos animais levados à exposição, mas no trabalho de melhoramento destinado a produzir bovinos mais férteis, adaptados, eficientes e capazes de transmitir essas características aos rebanhos comerciais.
A sigla IBC significa Irmãos Barros Correia e identifica o trabalho desenvolvido por Celso, Aloísio e Ricardo Barros Correia na Fazenda Recanto. A propriedade permanece com a mesma família há cerca de dois séculos e acompanhou as transformações econômicas da Zona da Mata alagoana.
A fazenda começou ligada à atividade açucareira e, no decorrer do século passado, ampliou os investimentos em pastagens e pecuária. A conversão definitiva para a criação bovina ocorreu no fim da década de 1960. Em 1979, os irmãos iniciaram a formação do plantel Nelore Puro de Origem, com animais registrados e genealogia controlada.
Desde então, a seleção passou a combinar avaliação morfológica, desempenho produtivo e informações genéticas. O objetivo é produzir reprodutores capazes de melhorar características como fertilidade, ganho de peso, adaptação ao clima tropical e qualidade da carcaça.
A genética de um touro interfere em grande parte dos bezerros produzidos dentro de uma propriedade. Por isso, a escolha de reprodutores avaliados pode elevar a produtividade durante várias gerações, reduzir o tempo necessário para o animal atingir o peso de abate e melhorar o aproveitamento econômico do rebanho.
A Agrofeira nasceu dessa ligação entre seleção genética e atividade comercial. A primeira edição foi realizada em 2023, e o encontro passou a reunir criadores, fornecedores e especialistas interessados nos desafios específicos da pecuária desenvolvida no Nordeste.
Nesta sexta-feira, o credenciamento começa às 7h. Às 8h, o engenheiro agrônomo Roberto Barcellos apresenta a palestra “O Nelore exercendo papel fundamental na qualidade da carne do Brasil”. A discussão deverá abordar a contribuição da raça para a produção nacional e os fatores que transformam genética, manejo e alimentação em carne de maior qualidade.
A partir das 9h, o público participa do primeiro “Momento de Fazer Negócio”, dedicado à visitação dos estandes, avaliação dos animais e contato entre produtores e fornecedores. O formato permite comparar tecnologias e negociar soluções voltadas à rotina das propriedades.
Às 14h, o advogado Jhon Matias fala sobre regularização imobiliária rural. O tema possui efeito direto sobre o patrimônio do produtor, porque pendências na matrícula, no georreferenciamento ou nos registros da propriedade podem dificultar inventários, vendas, financiamentos e o acesso ao crédito rural.
No sábado, a recepção também começa às 7h. Às 8h, a médica veterinária e economista Lygia Pimentel apresenta as perspectivas para o mercado pecuário. A análise ocorre em um momento no qual o produtor precisa acompanhar preços da arroba, custos de reposição, oferta de animais, exportações e capacidade de compra dos frigoríficos antes de definir investimentos e estratégias de comercialização.
O segundo “Momento de Fazer Negócio” começa às 9h e ocupa o restante da programação. A proposta é aproximar compradores, criadores e empresas que fornecem equipamentos, insumos, genética e serviços para as atividades pecuária e agrícola.
A feira também marca o início das comemorações dos 200 anos da Fazenda Recanto. O antigo espaço ligado ao engenho recebe atualmente animais selecionados, máquinas e tecnologias, formando uma síntese da transformação ocorrida na economia rural da região.
Para os produtores, o interesse prático está na possibilidade de conhecer reprodutores, avaliar soluções disponíveis no mercado e discutir problemas que afetam diretamente a rentabilidade das propriedades. A feira liga a tradição pecuária de Chã Preta a decisões atuais sobre produtividade, mercado, segurança jurídica e acesso à tecnologia.
Serviço: A Agrofeira IBC 2026 ocorre nesta sexta-feira (18) e no sábado (19), das 7h às 17h, na Fazenda Recanto, na zona rural de Chã Preta, em Alagoas. A participação é gratuita e as inscrições permanecem disponíveis pela plataforma Doity.
Fonte: Pensar Agro






















