O Governo do Paraná segue na vanguarda do apoio à ciência e à saúde pública de alta complexidade. Com a realização recente de mais dois procedimentos, o Estado alcançou 17 aplicações da proteína polilaminina, uma terapia experimental desenvolvida por pesquisadores brasileiros para o tratamento de lesões medulares agudas.
Em Curitiba, os procedimentos contam com a estrutura e a referência do Complexo Hospitalar do Trabalhador (CHT), unidade própria da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Dentro do protocolo de atendimento das aplicações da polilaminina, está a reabilitação, que acontece no Centro Hospitalar de Reabilitação Ana Carolina Moura Xavier, que faz parte do CHT e funciona como um centro especializado, oferecendo atendimento pelo SUS focado na recuperação motora, neurológica e funcional.
“Esse esforço conjunto, que une a referência do atendimento de traumas do Hospital do Trabalhador e a expertise da reabilitação multiprofissional do Hospital de Reabilitação, reforça o compromisso do Governo do Paraná em alinhar o atendimento humanizado do Sistema Único de Saúde (SUS) às mais modernas inovações científicas do cenário nacional”, destacou o secretário de Estado da Saúde, César Neves.
Um dos casos mais recentes a receber o apoio do Estado é o do caminhoneiro Divonzir Senca Cardozo, de 64 anos. Morador de Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, Divonzir sofreu uma queda de uma altura de 80 centímetros enquanto preparava as grades de sua carreta no dia 28 de fevereiro. O acidente resultou em uma fratura na vértebra C3 e um diagnóstico inicial de tetraplegia.
Socorrido pelo Siate e encaminhado ao Hospital do Trabalhador, passou por cirurgia e recebeu a indicação para a terapia experimental. Após superar um quadro de infecção que adiou temporariamente o procedimento, Divonzir recebeu a aplicação da polilaminina, no mesmo dia em que a paciente Ana Beatriz Cruz, a jovem de 22 anos que sofreu lesão medular ao ser atingida por um galho de árvore em Curitiba.
“Quando recebi a notícia que eu ia receber a aplicação, fiquei muito feliz, foi uma bênção. Agora é fazer fisioterapia, reabilitação e, se Deus quiser, voltar a andar. Essa é a minha vontade”, afirmou Divonzir.
A filha dele, Vanderleia Cardozo, relembrou o impacto do acidente para a família e destacou a qualidade do atendimento recebido. “Foi desesperador. O mundo desabou para nós. Meu pai sempre foi um homem superativo. Mas a perspectiva agora é a melhor, com o apoio que estamos recebendo do hospital e com o tratamento aqui, que é referência”, relatou.
REABILITAÇÃO – A aplicação da polilaminina exige uma estrutura robusta de pós-operatório e reabilitação, que é integralmente viabilizada pelo Estado. Após o procedimento, e assim que o paciente tiver condição clínica, ele cumpre um protocolo de internamento de três semanas no Hospital de Reabilitação. O cronograma inclui sessões de fisioterapia três vezes ao dia e um acompanhamento multidisciplinar contínuo, envolvendo equipes de clínica médica, nutrição, fonoaudiologia, entre outras especialidades correlatas.
O médico ortopedista e gerente técnico do CHR, Bruno Bodanese, destacou que o protocolo de atendimento para pacientes pós-aplicação da polilaminina foi desenvolvido pela equipe do CHR, quando chegou o primeiro paciente em Curitiba que recebeu a aplicação da proteína, o João Luiz Micheline, de 71 anos, que já apresenta avanços no tratamento.
Com muita força de vontade e cuidados médicos, ele comemora cada momento do tratamento de reabilitação. O aposentado perdeu o movimento das pernas ao fraturar a coluna em uma queda, em dezembro de 2025. Passou por cirurgia no Hospital do Trabalhador e, em março, foi o primeiro paciente a receber a aplicação da polilaminina em Curitiba.
O otimismo para lidar com sua recuperação é motivo de alegria para equipe médica que o atende. Quando atravessa a porta de vidro da sala de fisioterapia do CHR, seu bom humor já contagia a todos. As sessões fazem parte de sua rotina diária, todos os dias da semana, com diferentes profissionais do CHR – e sem desanimar nunca. “Desde que eu entro aqui, eu sou muito bem cuidado. Por todos. É só felicidade mesmo”, conta ele.
A rotina de exercícios não é fácil, mas Divonzir afirma que tem dado resultado. Sua última comemoração foi ter voltado a ter sensibilidade em uma das pernas e também a controlar a função urinária e de evacuação. “Agora é só quando quero. Antes eu estava em perigo”, brinca ele.
Quem acompanha o aposentado no dia a dia também comemora a evolução. “O esperado era mesmo uma evolução, pois ele tinha um prognóstico muito bom. Agora está conseguindo fazer contração na coxa, por exemplo, já deixa todo mundo feliz”, conta o fisioterapeuta Ethan Gabriel Macedo.
O tratamento de João é longo e toda a avaliação é feita com muito cuidado. A influência da polilaminina, por exemplo, ainda é estudada. “Ainda é muito cedo para posicionar o efeito da polilaminina. Tenho fé, mas hoje acredito mais que a evolução rápida e satisfatória dele é, em grande parte, influenciada pela atuação multidisciplinar e frequente que temos aqui no Hospital de Reabilitação”, completou o médico ortopedista Bruno Bodanese.
O aposentado recebe no CHR um cuidado global de reabilitação. Seu próximo estágio deve a fisioterapia dentro da piscina, que pode significar mais um passo em busca da melhoria. “A fisioterapia pélvica, por exemplo, auxilia muito nessa recuperação. Ele está com controle de tronco bem adequado e refere essa sensibilidade em membros inferiores”, completou.
TRATAMENTO – O Paraná tem 17 pacientes que receberam a polilaminina. Um dos casos de maior repercussão, que chamou atenção pela forma como o acidente ocorreu, é o da Ana Beatriz que foi atingida por um galho de árvore enquanto passeava com a família em Curitiba, no último dia 13 de junho. Ela deu entrada no Hospital do Trabalhador em estado gravíssimo, com risco iminente de morte e, depois de recuperada, recebeu a aplicação da proteína. Ana teve alta do Hospital do Trabalhador e vai iniciar o processo de reabilitação no HR.
PROTEÍNA – A polilamimina é um composto experimental brasileiro, derivado da laminina (proteína da placenta), desenvolvido para regenerar nervos após lesões na medula espinhal, atuando como um andaime que facilita o crescimento e reconexão neural. É uma esperança para paraplégicos e tetraplégicos, embora ainda em fase de pesquisa clínica e sem aprovação final da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso amplo.
Fonte: Governo PR





















