A Expoingá 2026 reforçou neste fim de semana seu papel como espaço de debate e formação ao receber a segunda edição do Congresso Brincar, promovida entre sexta-feira (15) e sábado (16), no Parque de Exposições de Maringá. Integrado pela primeira vez à programação oficial da feira, o encontro reuniu professores, pesquisadores e especialistas de várias partes do país em torno de discussões sobre práticas pedagógicas, desenvolvimento infantil e metodologias ativas de aprendizagem.
Com foco na chamada Educação 4.0, o congresso trouxe para o centro das discussões temas como ciência, inclusão, ludicidade e inovação no ambiente escolar. A proposta, segundo os participantes, foi aproximar teoria e prática, oferecendo aos educadores ferramentas que possam ser aplicadas diretamente em sala de aula.
Um dos palestrantes, o arte-educador Nélio Spréa, destacou o nível das discussões e a utilidade dos conteúdos apresentados durante a programação. Para ele, o congresso conseguiu reunir reflexões aprofundadas sem perder a conexão com a realidade dos professores. “Eu estou muito impressionado com a qualidade dos palestrantes, a profundidade das falas e o quanto tudo é muito ligado à prática. O público sai daqui já com possibilidades reais de aplicação em sala de aula”, afirmou.
A educadora Monica Soltau levou ao evento o tema “Jogos e letramento matemático”, defendendo o uso da ludicidade como estratégia de ensino. Ela contou que a busca por tornar a matemática mais interessante foi o que a levou a investir na criação de jogos educativos. “Desde o início da minha carreira eu queria transformar a matemática em algo interessante. Os jogos foram o caminho que encontrei para isso”, explicou.
Ao longo da carreira, Monica desenvolveu mais de 278 jogos e transformou essa experiência em um trabalho voltado também à formação de professores. “Percebi que tinha o dom de criar jogos e isso acabou se transformando em uma empresa. Hoje seguimos trabalhando com formação de professores e ferramentas que ajudam no processo de ensino”, disse.
Idealizador do Congresso Brincar, Vicente Falcão avaliou de forma positiva a ampliação do projeto dentro da Expoingá e comemorou a presença do público nesta edição. Segundo ele, o evento alcançou mais de 600 participantes e teve retorno expressivo dos educadores. “Estivemos com casa cheia, mais de 600 participantes e uma repercussão muito positiva. A Expoingá nos permitiu ampliar esse projeto e levar formação de qualidade para educadores de várias regiões”, afirmou.
Entre os nomes da programação também esteve a professora Brunela Santos, de Cachoeiro de Itapemirim (ES), que abordou o desenvolvimento infantil e a individualidade no processo de aprendizagem. Durante a palestra, ela destacou que a educação infantil exige um olhar atento às diferenças entre os alunos e às múltiplas formas de aprender. “Hoje entendemos, através da neurociência, que o processo de aprendizagem é muito particular de cada ser humano. Não podemos mais colocar todas as crianças na mesma caixa. Cada uma tem seu espaço dentro da sala de aula”, ressaltou.
Brunela também chamou atenção para a necessidade de preparar os professores para construir ambientes escolares mais inclusivos e acolhedores. “O professor precisa estar munido de informações para abraçar todas as crianças dentro do ambiente escolar”, afirmou.
A programação contou ainda com a participação da palestrante Ester Assis, de Vila Velha (ES), que falou sobre os desafios enfrentados pelas crianças na passagem da educação infantil para o ensino fundamental, além de destacar a importância da inclusão e da aprendizagem multissensorial. Durante sua fala, ela observou que essa mudança pode ser um momento sensível para os estudantes. “A criança passa anos na educação infantil e, de repente, chega a um ambiente totalmente novo. Essa transição muitas vezes é dolorosa e precisa ser compreendida pelos educadores”, explicou.
Ao encerrar sua segunda edição, o Congresso Brincar reforçou a importância da formação continuada dos professores e ampliou o alcance da Expoingá 2026, que, além de sua tradição ligada ao agronegócio, passou a evidenciar também iniciativas voltadas à educação, à cultura e à inovação.



















