O Paraná consolidou-se como um dos estados que mais realizam cirurgias bariátricas pelo Sistema Único de Saúde. Entre 2022 e julho de 2026, foram 9.287 procedimentos — a segunda maior produção do país, ficando atrás apenas de São Paulo, que registrou 9.367 operações no mesmo período.
O dado ganha contorno ainda mais relevante quando confrontado com o quadro epidemiológico. Segundo o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, 73% dos adultos paranaenses com peso e altura aferidos nas unidades de saúde estavam acima do peso em 2026. Desse total, 34,8% apresentavam sobrepeso e 38,2%, algum grau de obesidade. Os números foram divulgados na véspera do Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, celebrado neste domingo (11).
Para enfrentar o problema, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) organiza o atendimento por meio da Linha de Cuidado, que integra a Atenção Primária à Saúde (APS), a Atenção Ambulatorial Especializada (AAE) e a Atenção Hospitalar. A lógica é fazer com que cada paciente seja atendido no ponto certo da rede, conforme a gravidade do quadro.
“A obesidade é uma doença crônica e precisa ser tratada com cuidado contínuo, acolhimento e acompanhamento multiprofissional. O SUS deve garantir que cada pessoa seja atendida no ponto adequado da rede, com critérios claros e acesso regulado aos serviços de maior complexidade”, afirma o secretário de Estado da Saúde, César Neves.
Da UBS ao hospital
A porta de entrada do tratamento é a Unidade Básica de Saúde (UBS). Ali, as equipes avaliam o estado nutricional, investigam doenças associadas e identificam hábitos que influenciam o ganho de peso. O acompanhamento pode envolver consultas médicas e de enfermagem, orientação nutricional, apoio psicológico, atividade física, fisioterapia e ações de autocuidado individuais e coletivas. Só entre 2022 e agosto de 2026, a Atenção Primária do estado realizou mais de 930 mil atendimentos individuais voltados ao tratamento da obesidade, sem contar as atividades em grupo.
O encaminhamento para níveis mais complexos segue critérios clínicos definidos. Casos de obesidade graus I e II, sem comorbidades, permanecem sob responsabilidade da APS. Quando o quadro é mais grave — índice de massa corporal (IMC) entre 35 e 39,9 kg/m² com comorbidades descompensadas, ou IMC igual ou superior a 40 kg/m² —, o cuidado pode ser compartilhado com a Atenção Ambulatorial Especializada, desde que as possibilidades terapêuticas da atenção primária já tenham sido esgotadas. Para quem tem IMC a partir de 50 kg/m², o acompanhamento pode envolver também a Atenção Hospitalar.
Cirurgia é recurso complementar
A bariatria, no entanto, não é o primeiro passo. O procedimento é considerado um recurso complementar ao tratamento clínico e depende de avaliação multiprofissional e do cumprimento dos critérios dos protocolos do SUS. Antes da operação, o paciente passa por avaliações clínicas, nutricionais, psicológicas e de outras especialidades, conforme a necessidade individual.
A produção cresceu ano a ano no período: 1.563 cirurgias em 2022, 1.884 em 2023, 2.093 em 2024 e 2.371 em 2025, além de 1.376 até julho deste ano. Segundo o Sistema Estadual de Regulação, 725 pessoas aguardavam o procedimento até setembro de 2026, com tempo médio de 71 dias entre a autorização e a cirurgia.
O acompanhamento não termina na alta. Após a operação, o paciente segue em cuidado multiprofissional por 18 meses, com monitoramento do estado nutricional, das condições clínicas e da evolução das comorbidades. Depois disso, o tratamento retorna para a Atenção Primária.
Hoje, o Paraná conta com 19 hospitais habilitados pelo SUS para realizar cirurgias bariátricas, distribuídos por todas as macrorregiões de saúde. Os encaminhamentos seguem os fluxos regionais de regulação, conforme a disponibilidade de cada serviço.

















