Conferência define prioridades do Paraná para o avanço da assistência social

Conferência define prioridades do Paraná para o avanço da assistência socialFoto:

Encerrada nesta quinta-feira (09), em Foz do Iguaçu, a XV Conferência Estadual da Assistência Social do Paraná definiu as principais prioridades do Estado para o fortalecimento e a modernização da política de assistência social no Estado e no País. Promovido pelo Conselho Estadual da Assistência Social (CEAS/PR) e pela Secretaria do Desenvolvimento Social e Família (Sedef), o evento reuniu mais de 500 participantes de todas as regiões do Paraná e marcou os 20 anos do SUAS com o tema “Construção, proteção social e resistência”. Durante três dias, os participantes se envolveram em intensos debates, articulações e na elaboração de propostas que serão levadas à etapa nacional.

O encerramento foi dedicado à apresentação e sistematização final das propostas elaboradas nos grupos de trabalho, consolidando as contribuições do Paraná para a 14ª Conferência Nacional de Assistência Social, que será realizada em dezembro, em Brasília. Os cinco eixos temáticos abordados ao longo da conferência (universalização do SUAS, aperfeiçoamento contínuo, integração de benefícios e serviços, gestão democrática e sustentabilidade financeira) serviram de base para os debates e construção das proposições.

Entre as propostas aprovadas pelos participantes, dez serão levadas ao governo estadual e cinco, ao federal. Para o Governo do Estado, estão ações como a recomposição das equipes da gestão estadual por meio de concurso público, a normatização e o cofinanciamento de consórcios intermunicipais para ampliar os serviços de proteção social especial e a criação de um programa de valorização profissional no SUAS.

Também foram aprovadas a implementação da Vigilância Socioassistencial estadual com equipes permanentes e sistemas integrados, a ampliação do prazo de revisão do Cartão Comida Boa, além da proposta de dar mais autonomia aos municípios para inclusão de famílias em programas estaduais. Os participantes aprovaram a criação de uma lei estadual que garanta o cofinanciamento regular do SUAS e a destinação de recursos específicos para obras, reformas e ampliações dos equipamentos socioassistenciais nos municípios.

Leia Também:  Projeto do Paraná que aplica IA em museus universitários é finalista em prêmio nacional

Para o Governo Federal, as propostas incluem a criação de um Programa Nacional de Incentivo à Equidade no SUAS, com repasses condicionados à adoção de ações afirmativas; a revisão da Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do SUAS (NOB/RH) e da Tipificação Nacional para adequação do número de profissionais à demanda dos serviços; e a ampliação dos critérios de acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Outras demandas incluem a criação de um Programa Nacional de Formação Continuada, com financiamento próprio e foco em metodologias acessíveis, voltado a conselheiros, usuários e trabalhadores do SUAS e a vinculação de no mínimo 1% da Receita Corrente Líquida da União ao Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS), garantindo recursos estáveis para a política de assistência social.

O secretário do Desenvolvimento Social e Família do Paraná, Rogério Carboni, lembrou o papel de destaque do Paraná na elaboração de políticas públicas voltadas para a área da assistência social. “Encerramos esta Conferência com a certeza de que o Paraná está preparado para contribuir de forma decisiva com o futuro do SUAS no Brasil. As propostas construídas nestes três dias de debate refletem o compromisso dos nossos municípios, trabalhadores e usuários com uma política de assistência social mais justa, eficiente e participativa. Seguimos firmes na defesa de um SUAS fortalecido, com financiamento adequado e gestão democrática”, afirmou. 

DEBATES – A apresentação dos cinco eixos temáticos que nortearam os grupos de discussão foi conduzida pelo assistente social Valdiosmar Vieira. “Este é um dos momentos mais importantes da Conferência, já que os participantes dizem o que querem para o povo brasileiro. Não podemos falar de políticas públicas sem pensar no respeito aos seres humanos”, reforçou. 

Leia Também:  Nova estrada entre Ramilândia e Santa Helena chega a 59,62% de execução

As discussões envolveram representantes do poder público, trabalhadores da assistência social, conselheiros, representantes de entidades da sociedade civil, usuários e trabalhadores do SUAS. Os presentes também elegeram os 108 representantes da delegação paranaense na etapa nacional. Além da deliberação das  propostas, a plenária debateu moções apresentadas pelos participantes sobre temas relevantes à área.

“A edição deste ano destacou a importância do financiamento, da valorização dos profissionais e da ampliação da cobertura dos serviços socioassistenciais nos municípios”, explicou a presidente do CEAS/PR, Renata Mareziuzek.

Segundo ela, o Paraná finaliza sua etapa estadual com propostas consolidadas e um posicionamento forte para contribuir com os rumos do SUAS no Brasil. “Reforçamos o papel do SUAS como referência na construção de uma política pública baseada na equidade, proteção social e resistência frente às desigualdades”.

PROPOSTAS – Ainda durante a XV Conferência Estadual da Assistência Social, o governo estadual apresentou um conjunto de ações estratégicas desenvolvidas pelo Paraná para o fortalecimento e modernização do Sistema Único de Assistência Social. Entre as principais iniciativas está a elaboração do novo Plano Estadual de Assistência Social, em parceria com a Universidade Estadual de Maringá (UEM), que prevê metas e indicadores baseados em diagnóstico técnico das realidades sociais do Estado. Também foi destaque o Programa CapacitaSUAS, que já formou quase 5 mil trabalhadores e gestores da assistência social por meio de três cursos temáticos com abrangência estadual.

Outras ações importantes são a construção de 135 novas unidades do CRAS e CREAS, com investimento de R$ 169 milhões desde 2023, e a ampliação do Programa Agente da Cidadania, que vai atender 88 municípios com bolsas mensais de R$ 400 para jovens de 14 a 24 anos. O programa tem demonstrado impactos positivos na redução da evasão escolar, na inserção no mercado de trabalho e na participação em atividades culturais e esportivas.

Fonte: Governo PR

Compartilhe essa Notícia

publicidade