O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) está divulgando as mais recentes atualizações nas diretrizes internacionais de atendimento a vítimas de engasgo. A American Heart Association (AHA), referência global em protocolos de primeiros socorros, revisou suas recomendações em outubro deste ano, destacando a adoção do ciclo alternado de cinco golpes nas costas e cinco compressões abdominais – o método conhecido como “5-5” – para vítimas conscientes de todas as idades.
A medida surge em um cenário onde o engasgo representa uma preocupação significativa no estado. Dados do CBMPR revelam que, entre janeiro e outubro deste ano, foram registradas 1.223 ocorrências de engasgo em todo o Paraná. Os extremos de idade concentram a maioria dos casos: crianças de até 1 ano somaram 442 ocorrências (36%), enquanto as de 1 a 4 anos responderam por 272 registros (22%). Idosos com 70 anos ou mais totalizaram 200 ocorrências (16%), reforçando a necessidade de atenção redobrada de pais, cuidadores e familiares.
Por Que os Extremos de Idade São Mais Vulneráveis?
No caso das crianças, a vulnerabilidade se deve às vias aéreas ainda pequenas e à falta de habilidade plena para mastigar e engolir. Já entre os idosos, o processo natural de envelhecimento causa o enfraquecimento dos músculos da deglutição e a diminuição da saliva, fatores que dificultam a mastigação e podem levar a obstruções, mesmo com alimentos macios.
A capitã Luisiana Guimarães Cavalca, porta-voz do CBMPR, enfatiza a importância das medidas preventivas: “Para crianças e idosos, é crucial cortar os alimentos em pedaços pequenos. Crianças não devem se alimentar sem supervisão ou enquanto estiverem brincando ou se movimentando”. Para bebês, ela recomenda manter a cabeceira do berço levemente elevada para reduzir o risco de refluxo e engasgo.
Novas Diretrizes e a Importância da Ação Imediata
As alterações nos protocolos de desengasgo refletem estudos recentes da AHA sobre a efetividade das técnicas. “Eles verificaram que a alternância entre as batidas nas costas e as compressões abdominais aumenta as chances de desobstruir as vias aéreas”, explica a capitã Cavalca.
Ela salienta que qualquer pessoa pode e deve realizar as manobras, mesmo sem formação técnica. “Muitos pais chegam ao quartel com a criança engasgada, mas é importante saber que o atendimento pode e deve começar em casa. O deslocamento até o bombeiro é um tempo precioso em que a vítima pode estar sem respirar. Aprender as manobras básicas e agir de imediato faz toda a diferença”, afirma.
A oficial reforça, no entanto, que o socorro profissional deve ser acionado imediatamente pelos números 193 (Bombeiros) ou 192 (Samu), preferencialmente com a ligação em viva-voz para que o atendente possa orientar as manobras passo a passo. “É natural que o engasgo cause desespero, mas manter a calma e agir com rapidez salva vidas”, completa.
Com a mudança das diretrizes, o termo “manobra de Heimlich” foi substituído por “manobra de desengasgo”, considerado mais amplo e adequado às novas orientações.
Como Realizar a Manobra de Desengasgo:
Para adultos e crianças (conscientes):
- Posicione-se ao lado da pessoa.
- Aplique cinco golpes firmes nas costas, entre as escápulas, usando a base da palma da mão.
- Verifique se o objeto foi expelido. Caso contrário, siga para o próximo passo.
- Posicione-se atrás da pessoa. Realize cinco compressões abdominais:
- Posicione o punho fechado logo acima do umbigo.
- Segure o punho com a outra mão.
- Pressione para dentro e para cima, em movimento semelhante à letra “J”.
- Alterne o ciclo: repita a sequência de cinco golpes nas costas e cinco compressões abdominais até que as vias aéreas sejam liberadas ou enquanto a pessoa estiver consciente.
Para bebês (menores de 1 ano):
- Coloque o bebê de bruços sobre o antebraço, com a cabeça mais baixa que o corpo.
- Dê cinco golpes firmes nas costas, entre as escápulas, com a base da palma da mão.
- Vire o bebê de barriga para cima e aplique cinco compressões torácicas, usando a base da palma da mão, na linha entre os mamilos.
- Repita o ciclo de cinco golpes nas costas e cinco compressões torácicas até que o bebê chore, tussa ou volte a respirar.





















